O ENGODO DAS CONCESSÕES AEROPORTUÁRIAS
Escrito por José Carlos Pereira Sex, 17 de Fevereiro de 2012 20:16
A história das concessões aeroportuárias começa no dia 29 de setembro de 2006, com a tragédia do choque no ar do voo 1907 da Gol. Acusados, pressionados, sem liderança e colocados sob suspeita, os controladores de voo militares da Força Aérea iniciaram um movimento de autodefesa catastrófico, para eles mesmos e para o país. Embora houvesse evidências do que ocorria, as ações do Ministério da Defesa e do Comando da Aeronáutica foram desastrosas em todos sentidos, principalmente por uma omissão demagógica que apenas ampliou o ritmo do movimento e o caos aéreo que se instalou no país. Enquanto se discutiam as causas do acidente aéreo, de maneira habilidosa a culpa do caos foi desviada para a Infraero, que passava por fase delicada de sua história, após ter sua administração politizada e duramente atingida pela onda de corrupção que se espalhava pela administração pública.
No dia 17 de julho de 2007, e em pleno caos aéreo, ocorreu uma nova tragédia, com o pouso desastroso do voo 3054 da TAM no aeroporto de Congonhas. Como o acidente da Gol, este também nada teve a ver com a administração aeroportuária - nem com o controle de voo - caracterizando-se por erro operacional induzido por tecnologia não corretamente assimilada. Mas, o clamor público brasileiro já havia condenado a Infraero. Seguiu-se um processo de demissão que atingiu o Ministério da Defesa, o Comando da Aeronáutica, a Infraero e a ANAC. Embora possam ser consideradas injustas as ações na ANAC e na Infraero, há que se admitir estar o governo federal sob fortíssima pressão política e de mídia, não lhe restando outra alternativa. De fato, com a substituição no Comando da Aeronáutica, foram implementadas as atitudes legais requeridas em relação aos controladores de voo, e, em apenas uma semana o caos aéreo desapareceu.
Antes de 29 de setembro de 2006 não havia queixas contra a Infraero, embora houvesse um plano de privatização da empresa, oriundo do governo anterior e abortado pelo primeiro governo Lula. Com os acidentes, o caos promovido pelos controladores e a Infraero em desgraça pública, apareceu, como era de se esperar, o oportunismo de mercado ávido por assumir a boa coisa pública, no caso, os aeroportos mais rentáveis. O clamor contra a Infraero, antes alimentado pelo caos, passou a ser alimentado pelos apelos altamente sentimentais da Copa do Mundo e das Olimpíadas.
De novo, não restou muita alternativa ao governo, e as concessões chegaram. Para isso, é claro que houve estudos profundos e cuidadosos elaborados por estrategistas governamentais, mas o problema é que tais estudos partiram de estrategistas honestos, e a história atual do país mostra claramente como eles estão perdendo feio a guerra contra a banda desonesta da estratégia oficial, fortemente apoiada pela bandidagem não governamental.
E as concessões estão aí. Os grupos ganhadores, que deveriam apresentar experiência e capacidade na operação de grandes complexos aeroportuários têm sua competência infinitamente inferior à da Infraero. Cálculos aritméticos elementares mostram a inviabilidade do projeto econômico. A participação forte de recursos governamentais já parece uma proteção precoce contra algum desastre.
Odeio brasileiros que torcem contra o país, mas odeio ainda mais brasileiros que agem contra o país.
Espero sinceramente estar errado em minhas avaliações, mas acredito ser prudente um estado de atenção por parte da banda honesta do país.
DECISÕES PARA PENSAR
Escrito por José Carlos Pereira Seg, 13 de Fevereiro de 2012 17:19
Depois que uma ministra francesa recomendou aos sem-teto de seu país que evitassem sair de casa para evitar os riscos das nevascas, parece que baixou um sentimento de inferioridade em nossa terra brasilis a exigir resposta à altura.
Nossa querida Advocacia Geral da União providenciou para que fossem cancelados os registros em rede social de participantes que alertassem a rede sobre locais com blitz policial no trânsito. Acho que nem na Síria, ou no Irã, ou na Somália, alguém pensaria em tal aberração.
Não bastasse isso, um desembargador brasileiro suspendeu a prisão temporária de um indivíduo com problemas mentais, convertendo-a em prisão domiciliar. O detalhe é que o indivíduo é um morador de rua.
Nessa cadência, não estranhemos que a eterna celeuma sobre aborto venha ser decidida como um problema do feto, que se manifestará por meio de seus pais ou responsáveis. Não estranhemos também que os padrões para qualificar fichas limpas ou sujas venham a ser competência do INMETRO.
A GREVE E O GENERAL
Escrito por José Carlos Pereira Seg, 13 de Fevereiro de 2012 11:55
O país inteiro acompanhou a baderna produzida pela PM da Bahia, particularmente a ocupação e bloqueio da Assembleia Legislativa do Estado.
Muito se falou sobre legalidade e legitimidade ou não do movimento, sobre a baixaria política em dirigentes eticamente nulos e oportunismos de toda ordem à custa do sacrifício da população, particularmente dos mais pobres. O que pouco se falou mas todo mundo percebeu foi o fato simples de se ter oponentes armados de um mesmo país, todos pagos pelos impostos do mesmo povo.
De um lado, policiais militares armados e sublevados, do outro lado a Polícia Federal, a Força Nacional de Segurança, que é composta por policiais militares de todo o país, e o Exército Brasileiro, acionado de acordo com a Constituição e, como sempre, após alguém ter praticado alguma grande idiotice.
Qualquer pessoa com mais de 7 anos de idade sabe o risco que significa armas nas mãos durante um confronto de qualquer natureza, por mais verbal e pacífico que seja. Criado o cenário de confronto, lá estava o Exército Brasileirio em um dos lados, teoricamente um absurdo. Absurdo que foi perfeitamente compreendido pelo Comandante da Operação, o General Gonçalves Dias. Afinal, eram todos brasileiros em Salvador, Bahia, Brasil, e não em alguma primavera árabe, com seus radicalismos religiosos e ditadores sanguinários. O Gen. Gonçalves, muito habilmente, aproveitou seu aniversário e amaciou os ânimos. Talvez tenha exagerado ao chorar, mas era ele que estava no meio da confusão e com a responsabilidade de impedir uma matança estúpida entre brasileiros. O General cumpriu sua missão e bem, investiu algumas lágrimas, economizando munição e funerárias. Tivesse ocorrido uma tragédia, seria dele a culpa. Mas, como não poderia deixar de ocorrer em um sistema livre e democrático, o Gen. Gonçalves tem sido alvo de críticas até de colegas de farda. A maior delas se refere ao fato de que ele estaria ali para "prender e arrebentar" amotinados e não para permitir ingresso de água e alimentos para o interior do prédio, onde se encontravam crianças, e muito menos conversar e abraçar outros cidadãos brasileiros. Muito bem, Gen. Gonçalves, você fez a sua parte, agora, que o Poder Judiciário faça a dele.
MINISTRA PLANEJA MAIS MUDANÇAS QUE ENVOLVEM QUESTÕES SOCIAIS E DE DESENVOLVIMENTO HUMANO
Escrito por Alan Gomes dos Anjos Sáb, 11 de Fevereiro de 2012 06:55




