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CPI - O ESPETÁCULO

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Escrito por José Carlos Pereira Qui, 10 de Maio de 2012 22:16



                                                            
Personagens são figuras reais ou fictícias da literatura, teatro, cinema e, sem dúvida, também das CPIs brasileiras.  Personagem é sempre parte do espetáculo, e CPI brasileira, antes de tudo, é espetáculo.

Classicamente, os personagens do espetáculo são caracterizados como:  protagonista, o elemento principal da narrativa, co-protagonista aquele se segue em importância, antagonista, o que se opõe ao elemento principal, coadjuvante, o que completa a narrativa porém sem atitude decisória, e figurantes, os que apenas compõem o conjunto conforme necessidades numéricas específicas.

A CPI do Cachoeira tem tudo para ser um grande espetáculo:  protagonistas em transe, antagonistas sanguinários, coadjuvantes furibundos e figurantes esvoaçantes.  Entretanto, apesar desta boa perspectiva, observam-se falhas gritantes no setor de direção.  Análise preliminar do problema aponta para o dilema clássico entre diretor e dirigido, criador e criatura; muitos dirigentes do atual espetáculo já foram protagonistas em episódios do passado recente e nada garante que, de repente, um diretor tenha que trocar de lado e passar a protagonista. A questão é seriamente agravada pela incerteza quanto à produção do espetáculo, sujeita a movimentos inesperados de atores não engajados diretamente na obra, como delegados federais, jornalistas investigativos e delatores premiados.

O espetáculo está em fase final de ensaios e já provoca polêmica se será drama, comédia, tragédia ou circo de marionetes.  A julgar por sessões secretas com 50 participantes, máxima dificuldade para acesso ao roteiro por parte dos diretores e fusão entre criação de bovinos e estruturas de concreto, tudo aponta para uma comédia ao melhor estilo de "Cabaret", só que, sem música.  
 

RIO + 20 E A COMÉDIA FLORESTAL

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Escrito por José Carlos Pereira Qui, 10 de Maio de 2012 18:43


                                                      

A Rio + 20 está chegando e o que se vê é:

-   Não há vagas em hotéis no Rio de Janeiro para alojar convidados, curiosos e oportunistas. E dizia-se que o único problema do Rio era o aeroporto do Galeão.

-   Brice Lalonde, coordenador da ONU para a +20, ex-ministro do ambiente francês e manda chuva do Greenpeace, acusou nosso Itamaraty de lerdo no que tange a propostas ambientais que deveriam ser elaboradas pelo Brasil. Só faltou recomendar outro "chute no trazeiro".

-   James Lovelock, o cientista arauto do apocalipse ambiental, que garantiu a morte de bilhões de pessoas pelo aquecimento global, admitiu que seus cálculos estavam errados. De fato, o planeta está esfriando e não aquecendo. Al Gore, que faturou milhões com seu filme, seu Oscar e suas palestras, anda desaparecido.

-   O Código Florestal brasileiro, após anos de discussões bizantinas e muito dinheiro jogado no lixo, está agora sob o fogo do "Veta Dilma !".  Como quase todo mundo sabe, os riachos brasileiros estão destruídos muito mais pelos esgotos do que pela falta de mata ciliar. De fato, pouca gente está preocupada com o meio ambiente e sim com a segurança jurídica no campo, ou seja, com o investimento de seu rico dinheirinho, normalmente de origem pública. A questão, de fato, é meramente jurídica e nada de ambiental.

-   Pelo menos uma autoridade estrangeira desprovida de assessoria demonstrou entusiasmo pelo interesse brasileiro sobre cachoeiras.

                        Joãozinho 30 faria um grande enredo sobre a Rio 20.
 

ELEFANTES E BICHEIROS

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Escrito por José Carlos Pereira Ter, 17 de Abril de 2012 22:01


                                                              

Demóstenes Torres é um senador que sempre pregou moralidade e nunca escondeu ser favorável à legalização ampla do jogo no Brasil, como muitos outros políticos, inclusive a Presidente Dilma.

O Rei Juan Carlos da Espanha é um monarca que sempre pregou moralidade em sua Casa Real e nas relações internacionais, inclusive bradando em reunião oficial para que o Presidente Hugo Chavez "calasse a boca". Também é ferrenho defensor do meio ambiente e presidente de honra do Fundo para Proteção da Natureza - WWF.

Demóstenes não acreditou na competência da PF e foi grampeado em conversas estranhas com Cachoeira e empresários ainda mais estranhos. Nada de anormal quanto aos grampos e as conversas, coisas corriqueiras entre políticos brasileiros, não fosse ele um paladino moral. Querem a cabeça do senador.

Juan Carlos descuidou-se com a força da gravidade, levou um tombo e fraturou alguns ossos. Nada de anormal, não estivesse ele matando elefantes por diversão em Botswana, um país heroico da África Negra, que a duras penas vai se livrando da miséria absoluta, mas tem um terço de sua população de dois milhões de habitantes infectado pelo HIV. Querem a cabeça do rei.

O caso Demóstenes envolve apenas suspeitas de corrupção ou "malfeitos"  e avançou pouco além de nossas fronteiras. O caso Juan Carlos espalhou-se e indignou o mundo, demonstrando claramente o prestígio dos elefantes e o quanto a sociedade internacional está mobilizada para o meio ambiente. A eterna Brigitte Bardot disse: "Você é a vergonha da Espanha".    Na Argentina, corre a piada de que a Presidente Christina, que acaba de botar pra correr uma empresa espanhola estranha, não por ter relações com Cachoeira, e sim por conseguir ter prejuízo com petróleo, teria oferecido asilo aos elefantes de Botswana, mas já pensando em instalá-los nas Malvinas, com óbvias motivações estratégicas.

Antes de ir para Botswana bem que Juan Carlos poderia ter conversado com Demóstenes que provavelmente lhe teria recomendado cautela: "caçada de elefantes sabe-se como começa, mas nunca como termina".

 

SINAIS DE ALERTA

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Escrito por José Carlos Pereira Seg, 16 de Abril de 2012 18:21

                                                                       

Diariamente, em um ou mais lugares do Brasil, caixas eletrônicos de bancos são explodidos por bandidos em busca das irresistíveis cédulas recém-nascidas na Casa da Moeda.  A frequência e dispersão geográfica dos eventos mostra claramente que:  existe razoável disponibilidade de explosivos pelo país, a eficiência dos ataques melhora a cada operação e, em algum local, ou diversos locais, pessoas estão aprendendo a lidar com explosivos.

A grande solução encontrada para os ataques foi uma latinha com tinta vermelha colocada nos caixas e que lambuza as cédulas em uma detonação.  A grande estratégia imaginada foi que a bandidagem desistisse do negócio uma vez que o dinheiro obtido seria inutilizado no próprio ato de obtenção. Estratégia semelhante àquela de se plantar espantalhos humanos em plantações de milho na esperança de afugentar periquitos, que são irracionais mas não são idiotas.

Qualquer pessoa com rudimentares noções de química é capaz de produzir explosivos simples em casa, adquirindo os insumos em drogarias e lojas de produtos agrícolas. No entanto, o que se observa é provável emprego de material mais sofisticado, que deveria, por lei, ser rigidamente controlado.  Fabricar, roubar ou contrabandear explosivos é atividade de marginal pé de chinelo. No entanto, empregar corretamente os explosivos e seus detonadores, na quantidade exata, no local correto e no tempo devido exige formação técnica e treinamento dedicado. Recentes ataques revelam já existência desta capacitação. É bem verdade que ainda ocorrem ações em que  bandidos incompetentes conseguem demolir um prédio inteiro e deixar as latinhas de tinta intactas.

A média mensal desses ataques explosivos no Brasil está bem próxima da média de ataques explosivos no Iraque. Claro que os objetivos são outros, as cargas muito mais destruidoras e as motivações absolutamente impensáveis no Brasil de hoje. Mas, ninguém imaginava que naquele paraíso norueguês alguém poderia pegar um fuzil e matar dezenas de adolescentes em um acampamento, tendo antes explodido um prédio público.  O maluco só o fez porque tinha um fuzil e uma carga explosiva à disposição.

O Brasil é tido por nós mesmos como uma nação pacífica, o que representa meia verdade. Nossos vizinhos sulamericanos podem dormir tranquilos com relação aos brasileiros, mas nós brasileiros estamos perdendo tranquilidade quanto a nós mesmos.  Milícias sanguinárias estão organizadas e solidamente estruturadas em grandes cidades, organismos policiais sofrem infiltrações de alto risco e, lamentavelmente, observa-se um renascimento de ódios, preconceitos e discriminações das mais variadas naturezas, muitas vezes provocados e alimentados, ironicamente, por pessoas ou entidades que deveriam funcionar como amortecedores sociais e não como catalizadores do ódio.

Certamente alguém dirá que tudo isso é apenas teoria ou mera opinião. Pode ser. Mas os explosivos estão por aí, não são teóricos nem emitem opinião, apenas explodem, destroem e matam.  Esperemos, pelo menos, que o ódio entre nós não vá para áreas religiosas, raciais ou de opções de vida, e que o ódio político continue reduzido a palavrórios e CPIs onde todos são, de fato, homens-bomba, mas no outro sentido.
 
 
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